| Nº testes | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Alpha f | 0.05 | 0.0975 | 0.1426 | 0.1855 | 0.2262 | 0.2649 | 0.3017 | 0.3366 | 0.3698 | 0.4013 |
10 Método de Bonferroni e Método de Scheffé
Em muitos dos casos, estamos interessados em realizar diversos testes de hipótese separados, como:
\[ \begin{align} H_0 &: \beta_j = 0 , \quad \text{para j = 1,2,...,k} \\ &\text{ou} \\ H_0 &: \boldsymbol{a'_i\beta} = 0 , \quad \text{para i = 1,2,...} \end{align} \]
Quando testamos diversas hipóteses como as apresentadas anteriormente, temos dois diferentes níveis de significância (\(\alpha\)):
Nível de significância geral (Familywise) (\(\alpha_f\));
Nível de significância por comparação (Comparison-wise) (\(\alpha_c\)).
Quando realizamos um único teste de hipótese (como os apresentados nos capítulos anteriores), utilizamos um nível de significância geral \(\alpha_f\).
Contudo, ao realizar mais de um teste de hipótese para um mesmo caso, utilizamos um nível de significância por comparação \(\alpha_c\). Isso acarreta em um aumento do nível de significância geral (\(\alpha_f\)). Probabilisticamente, tem-se:
\[\alpha_f = 1 - (1 - \alpha_c)^k\]
em que \(k\) é o número de execuções do teste de hipótese ao nível \(\alpha_c\) de significância por teste realizado.
Com isso, fixando um nível de significância \(\alpha_c = 0,05\) para cada teste, conforme aumentarmos o número de testes, o nível de significância geral (\(\alpha_f\)) aumenta.
Para isso, serão apresentados dois métodos de comparação que protegem a inflação do nível \(\alpha\)-global quando diversos testes são feitos: método de Bonferroni e método de Scheffé.
Como exemplo, novamente, utilizaremos os dados do Capítulo 6.
| Obs | y | x1 | x2 |
|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 0 | 2 |
| 2 | 3 | 2 | 6 |
| 3 | 2 | 2 | 7 |
| 4 | 7 | 2 | 5 |
| 5 | 6 | 4 | 9 |
| 6 | 8 | 4 | 8 |
| 7 | 10 | 4 | 7 |
| 8 | 7 | 6 | 10 |
| 9 | 8 | 6 | 11 |
| 10 | 12 | 6 | 9 |
| 11 | 11 | 8 | 15 |
| 12 | 14 | 8 | 13 |
y <- c(2,3,2,7,6,8,10,7,8,12,11,14)
n <- length(y)
x0 <- rep(1, n)
x1 <- c(0,2,2,2,4,4,4,6,6,6,8,8)
x2 <- c(2,6,7,5,9,8,7,10,11,9,15,13)
X <- cbind(x0, x1, x2)
X x0 x1 x2
[1,] 1 0 2
[2,] 1 2 6
[3,] 1 2 7
[4,] 1 2 5
[5,] 1 4 9
[6,] 1 4 8
[7,] 1 4 7
[8,] 1 6 10
[9,] 1 6 11
[10,] 1 6 9
[11,] 1 8 15
[12,] 1 8 13
[,1]
x0 5.375394
x1 3.011830
x2 -1.285489
[,1]
[1,] 0
[2,] 1
[3,] 0
[,1]
[1,] 3.01183
[,1]
[1,] 0
[2,] 0
[3,] 1
[,1]
[1,] -1.285489
[,1]
[1,] 25.45899
gl_res <- n - k - 1
gl_res[1] 9
QMRes <- SQRes / gl_res
QMRes # QMRes = s² [,1]
[1,] 2.828777
Vamos assumir que os testes para \(H_0: \beta_j = 0\), para \(j = 1,2,\dots,k\), serão executados sem considerar se a hipótese global \(H_0: \boldsymbol{\beta_1 = 0}\) foi rejeitada.
Usamos a seguinte estatística:
\[ t_j = \frac{\hat{\beta}_j}{s\sqrt{g_{(j+1,j+1)}}} \]
s <- sqrt(QMRes)
s [,1]
[1,] 1.681897
x0 x1 x2
x0 0.9747634 0.2429022 -0.22870662
x1 0.2429022 0.1620662 -0.11119874
x2 -0.2287066 -0.1111987 0.08359621
[,1]
[1,] 4.448205
[,1]
[1,] -2.643478
t_tab <- qt(0.975, n - k - 1)
t_tab[1] 2.262157
[,1]
[1,] 0.001604352
[,1]
[1,] 0.02676076
Aqui, consideramos que foram realizados dois testes, com nível de significância de 5% para cada teste.
| Teste | t_calc | t_tab | p-valor (5%) |
|---|---|---|---|
| H0: Beta1 = 0 | 4.448205 | 2.262157 | 0.0016 |
| H0: Beta2 = 0 | -2.643478 | 2.262157 | 0.0268 |
p <- 1 - 0.05 / (2 * k)
p[1] 0.9875
t_tab_Bon <- qt(p, n - k - 1)
t_tab_Bon[1] 2.685011
t_tab_Scheffe <- sqrt((k + 1) %*% qf(0.95, k + 1, n - k - 1)) |> as.numeric()
t_tab_Scheffe[1] 3.404063
| Parâmetros | t_calc | t_tab | t_Bonferroni | t_Scheffé |
|---|---|---|---|---|
| Beta1 | 4.448205 | 2.262157 | 2.685011 | 3.404063 |
| Beta2 | -2.643478 | 2.262157 | 2.685011 | 3.404063 |
Nota-se que o valor do \(t\) calculado (t_calc) para o estimador de \(\beta_1\) é maior do que as estatísticas de \(t\) tabelado, de \(t\) de Bonferroni e de \(t\) de Scheffé, assim, rejeita-se a hipótese \(H_0: \beta_1 = 0\), com um nível de significância geral \(\alpha_f = 0, 05\).
Por outro lado, para o estimador de \(\beta_2\), obteve-se um valor absoluto de \(t\) maior que o \(t\) tabelado, porém inferior a do \(t\) de Bonferroni e do \(t\) de Scheffé. Assim, utilizando os dois métodos de nível de significância por comparação, não temos evidências para rejeitar a hipótese \(H_0: \beta_2 = 0\).
proc iml;
y = {2,3,2,7,6,8,10,7,8,12,11,14};
n = nrow(y);
x0 = j(n,1,1);
x1 = {0,2,2,2,4,4,4,6,6,6,8,8};
x2 = {2,6,7,5,9,8,7,10,11,9,15,13};
X = x0||x1||x2;
k = ncol(X)-1;
In = I(n);Beta = inv(t(X)*X)*t(X)*y;
a0 = {1,0,0}; Beta0 = t(a0)*Beta;
a1 = {0,1,0}; Beta1 = t(a1)*Beta;
a2 = {0,0,1}; Beta2 = t(a2)*Beta;p = 1-0.05/(2*k);
t_tab = tinv(0.975,n-k-1); * calcula t-tabelado;
t_Bon = tinv(p,n-k-1); * calcula t-tabelado para Método de Bonferroni;
t_Scheffe = sqrt((k+1)*finv(0.95,k+1,n-k-1)); * calcula t-tabelado para Método de Scheffé;print 'Exemplo 8.5.2' ,, 'Testes de hipótese H0: Bi = 0 vs Ha: Bi dif 0',,
'H01: B1 = 0 ' 't_cal1 =' t1[format=8.4] ' p-valor = ' p_valor_t1[format=10.4],,
'H02: B2 = 0 ' 't_cal2 =' t2[format=8.4] ' p-valor = ' p_valor_t2[format=10.4],,,,
'----------------------------------------------',
'alfa = 5% => t(0,025; 9 g.l.) =' t_tab[format=12.4],
'----------------------------------------------',,,
'Método de Bonferroni', 't(0,0125; 9 g.l.) =' t_Bon[format=12.4],,,,
'Método de Scheffé ', 't-Scheffé =' t_Scheffe[format=12.4];
quit;